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Caio Hanry Abreu: Até aonde a polarização pode levar Maceió?

Um dos cenários políticos mais acompanhados pelo Brasil, apesar do “pequeno” tamanho do Estado, são as eleições municipais em Alagoas. Um tanto curioso que o Estado que não chega perto dos 10 maiores colégios eleitorais chame a atenção de todo o país.

A constante presença de figuras nacionais como a família Bolsonaro, Nikolas Ferreira e seus opostos: Lula, Randolfe Rodrigues e a alta cúpula do governo também já se fizeram presentes, isso além dos políticos (e do tamanho deles para o país) que rivalizam em Alagoas e fazem um jogo de xadrez que faz jus a tamanha atenção: Renan Calheiros, Renan Filho e Arthur Lira.

Acontece que o eleitorado maceioense costuma ser o oposto do eleitorado das outras cidades do Estado. No ano passado, eram mais de 70 municípios que se aliaram diretamente ao grupo de Renan Calheiros para garantir a eleição de Paulo Dantas. No entanto, Maceió mostrou que não está disposta a seguir o caminho de Lula, Calheiros e seus aliados: além de ser a única capital do Nordeste a dar a vitória para Bolsonaro, rendeu uma grande quantidade de votos para Rodrigo Cunha e Davi Davino, que se aliaram a Bolsonaro.

O grande problema nesse jogo político são as máscaras que os jogadores usam. Alfredo Gaspar, por exemplo, rivalizou com JHC em 2020 no grupo de Renan Calheiros — ganhou no primeiro turno e perdeu no segundo. JHC se elegeu com Ronaldo Lessa, político tradicional da esquerda alagoana. Hoje, Alfredo e JHC, mesmo após uma eleição acirrada e acalourada, dividem o mesmo lado e trocam favores — dentro da legalidade, claro, como sempre!

O que faz um político aliado de Renan Calheiros ir ao extremo oposto apoiando Jair Bolsonaro e sua ideologia? O que faz JHC, eleito com o voto de esquerda no ano de 2020, ser o representante de Bolsonaro em Alagoas?

E o mais importante: onde essa guerra ideológica levou a capital de Alagoas em poucos anos?

Apesar de ostentar todo o poder e o cacife nacional, Alagoas ainda é um Estado que possui os piores índices em educação, qualidade de vida e PIB per capta. Quem ganhou com o bolsonarismo e a rivalidade entre ideologias? Este colunista não crê que foi o maceioense.

Por Caio Hanry Abreu – Acadêmico de Direito (Colaborador)

Este texto reflete a opinião do autor.  

Kleverson Levy

Especialista na cobertura política em AL

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